Trekking nas Dolomitas: as trilhas que nasceram de uma guerra

Quem faz trekking nas Dolomitas caminha, em alguns trechos, por antigas estradas de guerra. Durante a Primeira Guerra Mundial, a frente de batalha entre Itália e Áustria passou por essas montanhas, e os soldados abriram túneis, escadas e caminhos na rocha para levar munição e se proteger. Hoje a gente caminha por alguns deles.
Foi uma guerra dura, em que muita gente morreu nas montanhas. Caminhar por ali sabendo disso muda o jeito de olhar a paisagem.
A trilha das 52 galerias, a passarela da guerra
A nossa viagem começa por uma dessas obras, na região do Pasubio, perto das Dolomitas: a trilha das 52 Gallerie. É um caminho esculpido na rocha durante a Primeira Guerra Mundial, com túneis construídos em tempo recorde, nove meses. O objetivo era levar munição até perto do maciço do Pasubio, e por isso ela ficou conhecida como a passarela da guerra.
52 galerias, nove meses de obra e um único objetivo: levar munição até a frente de batalha.
Caminhamos por ela no segundo dia, num percurso de 14,5 quilômetros com 1.165 metros de desnível, o maior de toda a viagem.
Das trincheiras às Cinque Torri
No quinto dia, o circuito pelo Passo Giau e pelas Cinque Torri, as Cinco Torres, soma 11 quilômetros e 660 metros de desnível. As formações de rocha são o espetáculo do dia. Na região das Cinque Torri, trincheiras da Primeira Guerra foram preservadas e hoje formam um museu a céu aberto.
Depois da história, a paisagem
A guerra é uma camada. A outra é a paisagem que fez das Dolomitas um Patrimônio Mundial da UNESCO. No terceiro dia, o teleférico de Ortisei nos leva até perto do cume do Monte Seceda, uma das vistas mais bonitas da região, e no fim da tarde a gente caminha 4 quilômetros no Lago di Braies, de águas cristalinas. No sexto dia, contornamos as Tre Cime di Lavaredo, a formação mais famosa das Dolomitas.
Os dias de trilha em números
52 Gallerie: 14,5 km e 1.165 m de desnível
Passo Giau e Cinque Torri: 11 km e 660 m
Tre Cime di Lavaredo: 11 km e 300 m
Croda da Lago: 13 km e 870 m
Lago Sorapis: 13 km e 800 m
Lago di Braies: 4 km e 50 m
Bicicleta elétrica: 60 km até o Lago Dobbiaco, na fronteira com a Áustria, com strudel no fim
Entre os dias mais exigentes, a gente alterna: um dia livre em Cortina d'Ampezzo e um dia de Tre Cime com apenas 300 metros de desnível. O desafio aqui é o lugar, não o sofrimento.
Onde a gente fica: Cortina d'Ampezzo
A nossa base é Cortina d'Ampezzo, uma das cidades mais charmosas da Itália e, no inverno, um destino de esqui sofisticado, que já sediou as Olimpíadas de Inverno de 1956. Ficamos em hotéis 3 e 4 estrelas, de ótima qualidade. Não dormimos em refúgio. Depois de um dia de trilha, a gente volta para uma cidade com conforto, banho quente e uma boa mesa.
Saídas de 2027
21 a 30 de junho
1 a 10 de setembro
11 a 20 de setembro
A disponibilidade de cada data está no calendário.
Perguntas frequentes sobre o trekking nas Dolomitas
Dormimos em refúgio?
Não. A base é Cortina d'Ampezzo, em hotéis 3 e 4 estrelas.
Preciso de experiência em montanha?
Não é preciso ter experiência técnica. O roteiro alterna dias mais exigentes com dias mais leves, e a gente conversa com cada pessoa antes sobre o preparo.
Quer saber se essa viagem é pra você? Clica no botão abaixo e veja o roteiro dia a dia.



Meu bisavô era general da Cavalaria Austro Húngara, comandou vários confrontos nessa região, que é de fato carregada de história.